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Uso de algoritmos de previsão de demanda para abastecimento de lojas de varejo: benefícios e desafios

A previsão de demanda é o processo de estimar a quantidade de produtos que os consumidores irão comprar em um determinado período. Com o avanço da tecnologia, esse processo passou a ser cada vez mais automatizado por meio de algoritmos baseados em inteligência artificial (IA), aprendizado de máquina (machine learning) e análise estatística. Esses algoritmos analisam grandes volumes de dados históricos, sazonais, promocionais e até comportamentais para prever com maior precisão o comportamento futuro do consumidor.

Essa técnica deve ser usada desde a previsão do volume a ser comprado, passando pelo timming dessa compra e fechando com a colocação dos itens em loja no momento ideal e na quantidade correta.

Linha do tempo da tecnologia de previsão de demanda

  • Anos 1960-1980: As previsões eram feitas manualmente, com base em planilhas e na experiência dos gestores.
  • Anos 1990: Surgem os primeiros sistemas de ERP com módulos básicos de previsão baseados em médias móveis e regressões lineares.
  • Anos 2000: A popularização dos sistemas de Business Intelligence (BI) trouxe maior capacidade analítica e visualização de dados.
  • Anos 2010: O uso de algoritmos de machine learning começou a se consolidar, com modelos mais sofisticados como redes neurais e árvores de decisão.
  • Anos 2020 em diante: A integração com big data, IoT e IA generativa permite previsões em tempo real, personalizadas por loja, canal e perfil de cliente.

Vantagens do uso de algoritmos de previsão de demanda

  1. Maior precisão: Redução de erros nas previsões, o que diminui rupturas e excessos de estoque, trazendo como benefício a redução do NCG (necessidade de capital de giro), que alivia o fluxo de caixa.
  2. Eficiência operacional: redução dos custos logísticos, em função da otimização do abastecimento, transporte e armazenagem.
  3. Redução de custos: Menor necessidade de estoque de segurança e menor perda por vencimento ou obsolescência, que favorecem a manutenção de uma cobertura de estoque ideal.
  4. Agilidade na tomada de decisão: Respostas mais rápidas a mudanças de mercado ou comportamento do consumidor.
  5. Personalização: Possibilidade de prever demanda por loja, região ou perfil de cliente.

Pontos de atenção e desafios

  1. Dependência de dados de qualidade: Algoritmos são tão bons quanto os dados que recebem. Dados incompletos ou imprecisos comprometem os resultados. Ou seja, dados ruins, resultados péssimos.
  2. Complexidade técnica: Requer profissionais especializados e infraestrutura tecnológica robusta. Esse é um ponto de grande preocupação, em função da grande escassez de mão de obra no mercado de trabalho. Atrair e reter talentos é
    fundamental para implementação e manutenção desse trabalho.
  3. Custo de implementação: Investimentos iniciais em tecnologia, treinamento e integração com sistemas legados podem ser altos.
  4. Risco de superdependência: A confiança cega nos modelos pode levar à negligência de fatores externos não capturados pelos dados, como eventos inesperados ou mudanças regulatórias.
  5. Interpretação dos resultados: Nem sempre os gestores compreendem como os algoritmos chegaram àquela previsão, o que pode gerar resistência ou uso inadequado.

O uso de algoritmos de previsão de demanda representa um avanço significativo para o varejo, especialmente em um cenário cada vez mais dinâmico e competitivo. No entanto, seu sucesso depende do equilíbrio entre tecnologia, dados de qualidade e a expertise humana na interpretação e aplicação dos resultados. A combinação desses elementos é o que realmente transforma dados em decisões estratégicas eficazes.

Paulo Sérgio de Carvalho Araújo
Diretor de Logística e Supply Chain do Grupo Koch

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Presidente Executivo

Alexandre Simioni

À frente do Grupo Passarela, uma das maiores redes supermercadistas de Santa Catarina e entre as 50 do Brasil, Alexandre Simioni lidera um time de mais de 3 mil colaboradores em 21 lojas distribuídas por 17 cidades no estado de Santa Catarina e Rio Grande do Sul. A missão é transformar a experiência de compras, oferecendo qualidade, preço justo e inovação.

Sua trajetória profissional combina uma formação em Administração de Empresas com especializações no segmento supermercadista, garantindo uma visão estratégica e operacional para enfrentar os desafios desse setor dinâmico.

Atualmente, além de presidir o Grupo Passarela, é presidente da Associação Catarinense de Supermercados (Acats) para o biênio 2025/26 e atua como conselheiro na Associação Brasileira de Supermercados (Abras), contribuindo ativamente para o avanço e fortalecimento do setor.

Acredita no poder da inovação, na força das pessoas e na importância do varejo para o desenvolvimento econômico.

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Paulo Cesar Lopes

Presidente do Grupo TOP, com mais de 40 anos dedicados ao desenvolvimento do varejo supermercadista, Paulo Cesar Lopes é bacharel em Administração de Empresas pela FURB (Universidade de Blumenau), com MBA em Gestão Empresarial pela FGV (Fundação Getúlio Vargas).

Além de CEO do GTOP, é Presidente do Conselho Diretor da Acats, Vice-presidente da Abras (Associação Brasileira de Supermercados) e Presidente da SINGAVALE (Sindicato dos Supermercados do Vale do Itajaí).

Participa de eventos e congressos nacionais e internacionais, realiza visitas técnicas em supermercados modelos no mundo inteiro para identificar tendências, novidades e oportunidades de negócio.

Se dedica ainda a relações institucionais com o Poder Público para encontrar soluções e traçar planos direcionados ao desenvolvimento do varejo supermercadista no Brasil.

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