Além das palestras e painéis de debate, o Encontro Regional da Acats em Joinville ofereceu aos participantes seis workshops simultâneos, abordando temas essenciais para o dia a dia das operações supermercadistas. A proposta foi levar conteúdo técnico e aplicável, promovendo a qualificação de equipes em áreas estratégicas do setor.
Relações Trabalhistas – Escuta, diversidade e marca empregadora
No workshop sobre Relações Trabalhistas, a Assessora jurídica da Acats, Dra. Regina Almeida de Queiroz, trouxe reflexões sobre a importância da escuta plena, da valorização da diversidade e do impacto da cultura organizacional na imagem da empresa. “Não tenha medo das ideias que vêm de pessoas com experiências diferentes das suas. Muitas vezes, dessa combinação de visões surgem soluções ainda melhores”, ressaltou.
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Ela também alertou para o papel da cultura interna na reputação externa das empresas. “A marca empregadora é construída dentro da empresa, no dia a dia. Qualquer atitude de rejeição ou falta de respeito que provoque dor em alguém vai se refletir fora dos portões da empresa”, completou.
O debate também contou com contribuições da Dra. Katlyn Spillere Boff (Grupo Giassi) e do Dr. Luis Gandon (Grupo Angeloni), que reforçaram orientações sobre segurança jurídica e boas práticas trabalhistas.

Logística – Previsão de demanda e redução de rupturas
No workshop de Logística, o especialista Luis Ricardo Pedro, Sócio executivo da Black River Consultoria Logística, destacou os desafios de prever e atender a variabilidade da demanda no varejo supermercadista. “Nós não temos um produto em que seja possível saber exatamente quanto vai vender no dia seguinte. A previsão é feita com base em históricos de venda, tendências e eventos sazonais. Até o clima influencia diretamente: vender cerveja em Joinville num dia de sol a 32 graus não é a mesma coisa que em um dia frio de 12 graus”, explicou.
Ele também alertou para o maior risco da operação: perder o cliente por falta de produto na gôndola. “As perdas por procura são o maior crime do varejo. O consumidor fez o esforço de ir até a loja, mas não encontra o produto que deseja. Se for por não fazer parte do sortimento, é aceitável. Mas se a falta acontece porque a logística não foi eficiente, isso gera ruptura e afeta a experiência do cliente. Ter uma ruptura cada vez mais baixa é o que todo mundo quer no varejo”, ressaltou.

Cartazeamento – A arte de comunicar com letras e números
No workshop sobre Cartazeamento, o Instrutor Adolfo Santana, da SANPUB – Comunicação Visual, valorizou o papel do cartazista como profissional fundamental para a comunicação dentro das lojas. “O cartazista é, antes de tudo, um desenhista de letras e números. É esse trabalho que dá vida às ofertas e conecta visualmente o consumidor com os produtos”, destacou.
Segundo ele, o cuidado na produção de cartazes impacta diretamente nas vendas, transmitindo clareza e fortalecendo a identidade da loja.

Formação de Líderes em Açougue – Qualidade e capacitação que fazem diferença
No workshop sobre Formação de Líderes em Açougue, o especialista Pedro Ruivo, CEO e Fundador do Açougue Notável, destacou que cada corte de carne apresenta rendimentos diferentes e que o conhecimento técnico é essencial para garantir a rentabilidade da operação. “Santa Catarina é um dos estados onde a carne tem maior qualidade, e isso exige profissionais preparados para oferecer o melhor resultado ao consumidor”, afirmou.
Ruivo também ressaltou a evolução do autosserviço, com carnes embaladas que vêm ganhando espaço e qualidade nos últimos anos. Ele ainda elogiou o papel da Acats na capacitação do setor. “A formação e a valorização dos açougueiros fazem toda a diferença. É um serviço específico, de mão de obra muito requisitada, e o trabalho desses profissionais impacta diretamente na qualidade percebida pelo cliente”, destacou.

Prevenção de Perdas – Mapeamento e controle para evitar fugas
No workshop de Prevenção de Perdas, o especialista André Faccin de Almeida, Coordenador de Prevenção de Perdas da Cooper, explicou que grande parte das perdas no varejo está relacionada a fraudes, erros operacionais e desperdícios. “As fugas de recursos podem acontecer por erros de operação, como precificação incorreta, divergências de estoque e inventário mal feito. Também podem vir de fraudes — como trocas de etiqueta, furtos ou até pagamentos com notas falsas e cartões clonados. E há ainda os desperdícios, como excessos de pedidos, armazenagem inadequada e falhas de planejamento logístico”, destacou.
Segundo ele, esses problemas se acumulam em cascata e afetam a rentabilidade das empresas. “Quando o processo não está bem desenhado e não mapeia todas as pontas, as falhas se multiplicam. O caminho é identificar a origem de cada perda e agir preventivamente”, completou.

Gestão de Pessoas – Respeito e empatia no processo seletivo
No workshop sobre Gestão de Pessoas, a Consultora Silvia Duarte, especialista em liderança e desenvolvimento no varejo supermercadista, reforçou a importância de conduzir os processos seletivos com organização, respeito e empatia. “O processo seletivo precisa da participação de todos. Não é papel só do RH, mas também dos gestores. É essencial ter um espaço adequado para entrevistas, planejar cada etapa e, acima de tudo, respeitar o candidato que se dispôs a estar presente”, destacou.
Silvia chamou atenção para situações comuns que desvalorizam o candidato, como deixá-lo esperando além do horário marcado ou não preparar um roteiro de perguntas para a vaga. “O respeito começa desde o primeiro contato. Ter empatia significa se colocar no lugar dessa pessoa e mostrar que a empresa valoriza seu tempo e sua dedicação. Esse cuidado pode ser determinante para atrair e reter talentos”, completou.
