O varejo alimentar brasileiro encerrou abril de 2026 em estabilidade, com crescimento sustentado principalmente pelo aumento de preços e mudanças no comportamento de compra do consumidor. É o que mostra o novo relatório Radar Scanntech, divulgado nesta terça-feira (6), que analisou o desempenho das vendas no setor em todo o país.
O levantamento indica que o faturamento acumulado do ano avançou 1,5%, enquanto o volume de unidades vendidas recuou 1,8%. O preço médio por unidade subiu 3,3%, movimento que compensou a redução no fluxo de consumidores nas lojas.
Entre os principais movimentos observados no mês está o crescimento das bebidas e dos perecíveis frescos. Categorias como energético (+37,6%), cerveja (+8,4%) e refrigerante (+8,1%) tiveram maior desempenho, impulsionadas pelas temperaturas mais altas registradas em abril.
Os perecíveis também acompanharam esse avanço. Bovino in natura registrou crescimento de 17,1%, enquanto itens ligados ao consumo fresco e natural ampliaram participação nas cestas de compra.
Por outro lado, a mercearia básica apresentou retração significativa. A antecipação da Páscoa para o início de abril reduziu o impacto sazonal tradicionalmente registrado no mês e puxou para baixo categorias como arroz (-23,2%), açúcar (-21,5%) e café (-11,1%).
Segundo a análise da McKinsey & Company presente no mesmo relatório, o consumidor brasileiro segue comprando, mas de forma mais racional, seletiva e planejada. O estudo aponta que os consumidores têm reduzido gastos considerados menos essenciais, comparando mais preços e buscando alternativas mais econômicas, sem abrir mão de pequenos momentos de satisfação.
No recorte regional, o Sul apresentou uma das menores quedas em volume de vendas do país, com retração de apenas 0,3% em unidades e estabilidade no faturamento.
Embalagens maiores
Outro dado que chama atenção é a mudança na dinâmica das compras. Em abril, os consumidores passaram a levar embalagens maiores para diluir custos e aumentar o rendimento das compras. O tamanho médio das embalagens cresceu 3% no mês, enquanto o fluxo nas lojas caiu 2,9%.
Na avaliação da Scanntech, o cenário atual demonstra um consumidor mais atento ao valor percebido das compras, exigindo das empresas maior capacidade de adaptação em preço, mix de produtos, promoções e gestão de estoque.