O mês de outubro manteve o ritmo mais contido do varejo alimentar brasileiro. De acordo com o Radar Scanntech divulgado nesta semana, o faturamento do setor cresceu 1,3% em relação ao mesmo mês de 2024, mas o volume de vendas caiu 3,6%, resultado que mostra a combinação de temperaturas mais amenas, menor fluxo de consumidores nas lojas e retração das categorias ligadas ao calor e à indulgência.
Segundo o levantamento, produtos como sorvetes, bebidas refrescantes, chocolates, biscoitos, balas, pirulitos e petiscos snacks responderam por mais de 85% da queda em unidades no mês. A cesta de bebidas foi a principal responsável pela retração, com recuo de 9,3% em volume e 2% em faturamento, reflexo direto do clima mais frio e da crise do metanol.
Mesmo com a queda, o estudo destaca que o comportamento do consumidor tem se tornado mais seletivo: enquanto categorias indulgentes recuaram cerca de 20%, os itens premium dentro dessas mesmas cestas crescem, em um movimento de busca por menos quantidade e mais qualidade. Na direção oposta, o setor de lácteos se destacou positivamente, impulsionado por reduções de preço que estimularam o consumo, sobretudo em produtos como queijos, manteigas e iogurtes, que foram responsáveis por cerca de 20% da contribuição positiva em unidades no período.
De acordo com Alexandre Simioni, Presidente da Associação Catarinense de Supermercados (Acats), o acompanhamento dos indicadores é fundamental para orientar o planejamento do varejo. “Monitorar o comportamento de consumo é importante para que os supermercadistas se antecipem às tendências. O setor é dinâmico, e cada mudança nos hábitos do cliente tem impacto direto nos resultados”, pontua.
Na análise por formato de loja, os supermercados apresentaram maior resiliência, com queda de 3,1% em unidades e alta de 2,5% no faturamento. Os atacarejos, por sua vez, registraram retração de 4,3% no volume e de 1% na receita, mostrando sinais de maturidade e desaceleração. Regionalmente, o Norte foi a única área do país a apresentar queda simultânea em unidades e faturamento, enquanto Sul e Sudeste também sentiram o impacto do clima mais frio, com retração no consumo de cervejas, chocolates e biscoitos.