Considerado o maior evento de varejo do mundo, o NRF Retail’s Big Show chegou à sua 116ª edição em Nova York, reunindo líderes globais para discutir tendências que já estão em curso no setor. Consumo, tecnologia, logística, gestão e inovação foram tratados a partir de casos reais, soluções em operação e resultados mensuráveis, ou seja, menos projeção e mais prática.
A Acats esteve representada no evento pelo Presidente do Conselho Diretor da Associação, Paulo Lopes, que acompanhou os debates e trouxe uma leitura objetiva sobre o momento do varejo global.
De acordo com Paulo Lopes, a mensagem da NRF 2026 é mais madura: inovar com foco em resultado. “Saio da NRF com a sensação de que estamos no caminho certo. Menos experimentar por experimentar e mais executar”, pontuou. Um dos temas mais recorrentes da NRF 2026 foi a evolução dos agentes de Inteligência Artificial, especialmente no e-commerce. “Os agentes de IA já estão mudando a forma de comprar. Eles recomendam o produto certo, o preço certo e indicam onde comprar. Isso já é realidade e vai transformar a jornada de compra”, afirmou. Ao mesmo tempo, destacou que a tecnologia depende de gente preparada. “Pessoas viraram o novo luxo. A IA precisa das pessoas para funcionar bem e ser assertiva”, pontuou.
A execução nas lojas apareceu como ponto central, com impacto no setor supermercadista. “Muitas vezes a estratégia está bem desenhada, mas não chega à ponta por falhas de comunicação ou entendimento. A prioridade passa a ser executar, fazer o simples muito bem feito e avançar”, finalizou.
Essa leitura dialoga com a análise de Luis Lobão, Palestrante, Conselheiro de empresas e Especialista em planejamento estratégico. Segundo Lobão, o varejo entrou em uma fase marcada por menor retórica e maior responsabilidade operacional. “Experiência sem execução consistente não se sustenta. O que ganhou espaço foi margem, eficiência, disciplina operacional e velocidade”, disse.
Lobão também observou a mudança de patamar da Inteligência Artificial. “A IA deixou de ser aspiracional e virou infraestrutura. Não se trata mais de adicionar tecnologia aos processos, mas de redesenhar o negócio com a IA no centro das decisões e da operação.” Nesse contexto, velocidade passou a valer mais do que complexidade, e errar, corrigir e aprender rapidamente virou vantagem competitiva, inclusive na gestão de marcas próprias, agora tratadas como portfólios vivos, conectados a comunidades reais.
Complementando o debate, a CEO da Connect Shopper e estrategista de varejo Fátima Merlin trouxe um olhar ampliado sobre consumo, sociedade e responsabilidade institucional. Para ela, o varejo, especialmente o brasileiro, atua em um ecossistema mais amplo, que envolve política, legislação, ciência e governança digital. “A discussão passou a ser um ativo estratégico. O varejo participa da construção científica, legislativa e organizacional da sociedade”, analisou.
Na avaliação de Fátima, temas antes distantes da operação passaram a integrar o cotidiano das empresas. A legislação deixa de ser apenas um limite e passa a exigir posicionamento, entendimento e participação ativa do setor. “Consumo, tecnologia e sociedade caminham juntos. O varejo que compreende esse cenário amplia sua relevância e constrói relações mais sólidas e sustentáveis”, concluiu. Merlin é Instrutora confirmada na agenda de cursos da Acats neste ano, ministrando aulas no Programa de Desenvolvimento Gerencial.
As mensagens da NRF 2026 apontam para um varejo mais maduro, exigente e conectado à realidade, que equilibra tecnologia, disciplina operacional, cultura forte e clareza de propósito, pontos que a Acats busca levar aos seus associados ao conectar o cenário global às necessidades e oportunidades do setor supermercadista catarinense.