No dinâmico setor de supermercados, os desafios são diários e bem conhecidos: margens apertadas, gestão de grandes equipes e uma taxa de rotatividade (turnover) cronicamente alta. Nesse cenário, a área de Gestão de Pessoas está passando por uma transformação profunda, deixando de ser apenas um setor de apoio burocrático para se tornar o motor de decisão do negócio.
A transformação: do perfil burocrático ao estratégico
O mercado atual não aceita mais um RH focado apenas em processos operacionais, como a simples gestão da folha de pagamento ou decisões baseadas meramente em intuição. O novo perfil exigido é analítico, orientado a resultados e conectado diretamente aos objetivos estratégicos da empresa.
Enquanto o modelo antigo via o RH como um centro de custo, a nova era propõe uma gestão inteligente, onde as decisões são pautadas em dados, transformando a informação em vantagem competitiva.
Por que os dados são a “nova moeda”?
Adotar uma cultura Data-Driven (orientada por dados) vai muito além de ter painéis de indicadores bonitos; trata-se de escolher indicadores realmente estratégicos para justificar escolhas com dados reais, conectando-os às metas da empresa.
Os números mostram que essa mudança gera resultados tangíveis:
• 3x mais impacto no negócio: Líderes orientados por dados entregam resultados significativamente superiores.
• 24% mais retenção de talentos: Empresas que utilizam dados integrados têm chances muito maiores de manter seus melhores colaboradores.
• 40% de redução em erros de contratação: Processos seletivos baseados em evidências diminuem drasticamente as contratações inadequadas.
O custo do “achismo” vs. o investimento em dados
A falta de uma mentalidade analítica custa caro. Por exemplo, uma contratação errada de um operador de caixa ou gerente pode custar até três vezes o salário do cargo, considerando treinamento perdido, impacto na equipe e queda de produtividade.
Da mesma forma, na remuneração, sem inteligência salarial, as empresas tendem a premiar quem “reclama mais alto” em vez de quem entrega mais, gerando desengajamento e desperdício de orçamento. Com dados, o investimento tem destino claro, propósito estratégico e retorno mensurável.
Inteligência Artificial: superpoderes para o RH
A Inteligência Artificial (IA) surge como o próximo passo natural dessa jornada. É importante destacar que a IA não substitui o RH; ela dá superpoderes ao analista humano.
Para que a IA funcione, os dados precisam estar limpos e organizados. Imagine uma ferramenta que prevê qual operador de caixa tem maior probabilidade de sair nos próximos 30 dias, permitindo uma ação preventiva. Isso já é possível quando dominamos as etapas de organização de dados, análise de contexto e aplicação de IA.
O que você pode fazer amanhã?
A jornada para um RH estratégico começa com pequenos passos. Você pode iniciar hoje mesmo ao:
1. Escolher um problema real da sua área para começar a medir.
2. Identificar um indicador simples que ajude a entender esse problema.
3. Trazer um insight com dados para a sua próxima reunião de liderança.
Como afirma W. Edwards Deming: “Sem dados, você é apenas mais uma pessoa com uma opinião”.
Carolina Farah
Diretora da Vertical PeopleTech da Associação Catarinense de Tecnologia (ACATE).
Especialista confirmada na programação dos Encontros Regionais de Supermercadistas da Acats em 2026. As inscrições para o evento em Chapecó, que será realizado no dia 5 de março, estão abertas.