Os supermercados, tradicionalmente vistos apenas como porta de entrada para o mercado de trabalho, hoje se consolidam como terreno fértil para crescimento de carreira. A estrutura robusta dessas empresas, que precisam de equipes bem organizadas em todas as áreas — do estoque ao administrativo — abriu espaço para trajetórias de ascensão.
Em um setor que emprega 200 mil catarinenses, a ascensão da carreira nos supermercados mostra que, mesmo em funções de entrada, há espaço para construir um futuro sólido — desde que haja dedicação e olho atento às oportunidades.
Laércio Schmitt é um exemplo dessa construção profissional no setor supermercadista. Ele trabalha há 30 anos na área, começou como conferencista e hoje ocupa um cargo alto no setor.
“A minhas maior conquista foi a que qualquer profissional almeja, a estabilidade profissional. Poder atender a minha família, ter condições para dar estudo para minha filha, ter uma casa confortável”, conta Laércio, gerente comercial de uma rede de supermercados de Balneário Camboriú.
Como prática comum dos gestores, Laércio visita outras lojas concorrentes até quando está de férias. “Eu não sei como é ficar sem estar em um supermercado. Eu saio para passear, tenho uma reunião em outra cidade e sou obrigado a entrar em uma loja para conhecer melhor a concorrência”, explica.

Apaixonado por Supermercado desde a juventude

Desde jovem, Roberto Oeschler já era apaixonado por supermercado. Ele tinha o costume de entrar nas lojas. “Eu entrava, visitava, olhava um pouco ao redor e fui me despertando. Foi como amor à primeira vista”, exalta. São 26 anos de carreira no setor, há 18 sendo gerente de uma loja em Blumenau.
Atualmente , a ascensão da carreira no setor tem sido mais rápida, principalmente para aqueles que mostram ter o DNA do varejo.
“Ele vai muito além do que aquilo que o consumidor enxerga no dia a dia, tem todo um processo de estruturação antecipada, de olhar pro novo modelo de consumidor e quando o varejo identifica que tem um bom funcionário, ele já prepara essa carreira rápida para ele”, ressalta Libardoni Fronza, conselheiro da ACATS.
Histórias de ascensão no setor

Programas de treinamento e incentivo à formação técnica também ganharam força nos últimos anos. Redes nacionais investem em cursos internos de gestão, logística e atendimento. Com isso, criam lideranças formadas dentro da própria operação, o que garante maior alinhamento cultural e diminui custos de contratação externa.
Guilherme da Silva mirava no cargo de gerente de loja, mas no meio do caminho descobriu que o centro de distribuição tinha mais a ver com ele. Dos 31 anos de vida, 17 são dentro do supermercado. No caso dele já foram 9 promoções e outras conquistas na vida pessoal. Até o casamento começou dentro da loja.
“Eu trabalhava no depósito da loja e uma moça que já conhecia trabalhava como caixa. Hoje estamos casados há 15 anos”, conta.