Em Santa Catarina, supermercados têm sido importantes agentes de transformação social ao promover a inclusão de pessoas com deficiência (PCDs). Mais do que apenas cumprir a obrigatoriedade legal, há sinais reais de evolução nas práticas de seleção, adaptação e valorização desses colaboradores.
Entre 2022 e 2024, o número de trabalhadores com deficiência no mercado formal catarinense aumentou 14,4%, passando de cerca de 30 mil para 34.357 pessoas. Os números são da Relação Anual de Informações Sociais (RAIS).
Além disso, entre janeiro e junho de 2025, a região Sul registrou mais de 12 mil novas contratações de PCDs. Esses avanços refletem o impacto da Lei nº 8.213/1991 (Lei de Cotas), que exige que empresas com 100 ou mais funcionários destinem de 2% a 5% das vagas para pessoas com deficiência.
“Nós vemos muitos PCDs se destacando na equipe. Muitas vezes eles têm uma dificuldade, mas têm uma habilidade que se destaca em relação aos outros. É prazeroso dar essa oportunidade!”, afirma o presidente da Acats, Alexandre Simioni.
As oportunidades têm dado resultado, com funcionários contratados se destacando nas redes de supermercados do Estado e ocupando cargos de liderança.
De armazenista à líder da área: confira o que mudou

Jackson das Neves apresenta uma deficiência intelectual, mas a condição nunca o definiu. Funcionário há uma década de uma rede de supermercados no Oeste Catarinense, ele começou como armazenista em 2014. Um ano depois, se tornou repositor do setor de frios, laticínios e congelados. Até que, neste ano, passou a ser líder da área.
“No dia 28 de março deste ano, eu fui promovido ao cargo de líder. Eu venho batalhando desde lá para conseguir uma oportunidade”, conta Jackson.
Hoje ele coordena o setor de FLC da rede, que conta com mais de 650 colaboradores. É de sua responsabilidade cuidar dos processos, verificar a qualidade dos produtos e checar as datas de validade. Uma trajetória que orgulha sua família.
“Eu fico emocionado. Eles (família) me parabenizaram”, relembra.
Famosos pela dedicação e destaques no ambiente de trabalho

O auxiliar de caixa Ivan Puhl é quase um patrimônio da rede de supermercados em que trabalha, no Oeste de Santa Catarina, sendo assim uma referência na inclusão de pessoas com deficiência e muito querido por todos em seu ambiente de trabalho.
“Eu estou há 19 anos aqui. E tem um cliente que chegou a me elogiar para o gerente da loja. Ele ainda me procura para embalar as compras dele”, relata Ivan, com muito orgulho.
O varejo aposta nessas pessoas pelos pontos positivos que trazem para dentro das lojas. São pessoas pontuais, comprometidas, além de serem admiradas pelos colegas.
“A gente encontra neles o interesse pelas atividades. Encontramos também um comprometimento muitas vezes superior ao dos demais colaboradores. Tanto que nossos índices de turnover e absenteísmo são baixos”, destaca Rovânia do Nascimento, subgerente de loja de supermercado.

Outro funcionário que se destaca em uma rede de supermercados do Oeste é Luan Vezzaro. Contratado como repositor, ele se envolve em diversas atividades da loja. Reconhecido por ser uma pessoa metódica, a característica acaba se tornando uma qualidade no trabalho. Luan organiza os carrinhos de compras e não deixa nenhum para trás.
“Já recebi tantos elogios que não me lembro, foram vários!”, conta Luan. “É muita emoção, ser homenageado não é para qualquer um”, finaliza.
Histórias como essas mostram que a inclusão vai muito além do cumprimento da lei, é uma prática que transforma vidas, fortalece equipes e enriquece o ambiente de trabalho. Investir no potencial de cada pessoa é construir um mercado mais justo, diverso e preparado para os desafios do futuro.