Dados da NielsenIQ indicam que 86% dos brasileiros já adotam ao menos um hábito mais saudável em sua rotina
A busca por uma vida mais saudável nunca esteve tão presente na rotina dos consumidores brasileiros. Alimentação equilibrada, atividade física e bem-estar mental ganharam protagonismo nas decisões de compra, refletindo uma mudança estrutural no comportamento da população.
Dados da NielsenIQ indicam que 86% dos brasileiros já adotam ao menos um hábito mais saudável em sua rotina, uma transformação que também se reflete na forma como os consumidores se posicionam em relação ao próprio estilo de vida. Do chamado “saudável aspirante” ao “extremamente saudável”, diferentes perfis adotam práticas progressivamente mais intensas de cuidado com a saúde, desde a redução do consumo de sal, açúcar e alimentos industrializados até rotinas mais completas, que incluem acompanhamento médico ou nutricional e a preferência por produtos orgânicos.
Entre os consumidores considerados extremamente saudáveis, os impactos no consumo são ainda mais evidentes. Esse grupo chega a gastar cerca de 11% a mais em bens de consumo rápido (FMCG), impulsionado principalmente por maior frequência de visitas aos pontos de venda.
Esse comportamento também se relaciona a características demográficas. Em geral, lares com maior concentração de hábitos saudáveis tendem a ser mais maduros, com maior nível socioeconômico e famílias maiores, além de apresentarem maior frequência de compra em canais como cash & carry, supermercados de grande porte e farmácias.
Estilo de vida mais ativo
O movimento em direção ao bem-estar vai muito além da alimentação e já impacta diversos setores da economia.
O mercado de academias no Brasil, por exemplo, vive um forte ciclo de expansão impulsionado pela valorização da saúde e da qualidade de vida. Uma grande rede franqueada do setor projeta a abertura de mais de 300 novas unidades em 2026, mantendo o ritmo acelerado de crescimento registrado nos últimos anos.
Outro reflexo desse movimento é o crescimento das corridas de rua, que vêm ganhando cada vez mais adeptos no país com um aumento de 85% no número de provas em 2025 comparado a 2024, totalizando cerca de 15 milhões de corredores, refletindo o interesse crescente dos brasileiros por atividades físicas acessíveis e que promovam bem-estar. Para muitos consumidores, essas práticas passaram a fazer parte da rotina, reforçando uma cultura cada vez mais orientada para a saúde.
Essa expansão reflete um consumidor cada vez mais comprometido com hábitos saudáveis e disposto a investir em rotinas que promovam bem-estar físico e mental.
Os impactos na alimentação
Esse movimento em direção a um estilo de vida mais saudável também se reflete diretamente nas escolhas alimentares dos consumidores. Categorias associadas à alimentação natural e menos processada ganham cada vez mais relevância no carrinho de compras, com destaque para frutas, legumes e verduras (FLV). No varejo alimentar, o crescimento dessas categorias acompanha a busca por produtos mais frescos e nutritivos, reforçando a importância do sortimento e da exposição desses itens dentro das lojas.
O papel do atacarejo na transformação do consumo
A evolução dos hábitos alimentares também vem transformando o papel de diferentes canais de compra.
O atacarejo, tradicionalmente associado a compras de abastecimento e preço competitivo, passa a ampliar sua oferta de serviços e categorias, acompanhando um consumidor mais exigente e atento à qualidade dos produtos.
Hoje, áreas como hortifruti já estão presentes em quase todas as lojas, enquanto serviços como açougue e padaria ganham espaço crescente dentro desse formato. Essa evolução contribui para fortalecer o canal como destino não apenas de abastecimento, mas também de compras ligadas à alimentação mais saudável.
Com um consumidor mais atento ao que coloca no carrinho, o varejo passa a desempenhar um papel ainda mais relevante na oferta de opções que facilitem escolhas mais equilibradas no dia a dia.
Um novo consumidor, mais consciente e exigente
Entre consumidores mais jovens, especialmente da Geração Z, cresce a expectativa de que marcas e empresas adotem práticas responsáveis. Estudos indicam que 71% dos jovens dessa geração acreditam que as marcas devem ser ambientalmente corretas, um índice superior ao observado entre millennials.
Esse perfil reforça a tendência de um consumidor mais atento à origem dos produtos, à transparência das marcas e ao impacto das suas escolhas de consumo.
A chegada das canetas emagrecedoras nesse contexto
Dentro desse cenário mais amplo de busca por saúde e bem-estar, surge também o crescimento do uso das chamadas canetas emagrecedoras, medicamentos da classe GLP-1 originalmente desenvolvidos para o tratamento do diabetes.
Nos últimos anos, esses medicamentos ganharam popularidade por seus efeitos no controle do apetite e na perda de peso, tornando-se parte das discussões sobre saúde e qualidade de vida.
No Brasil, 4,6% dos lares já utilizam medicamentos dessa classe, enquanto 26,1% demonstram interesse no tratamento, de acordo com dados da NielsenIQ. Apesar da alta curiosidade, o acesso ainda é limitado principalmente pelo custo elevado e por preocupações com possíveis efeitos colaterais.
Como consequência, o uso tende a se concentrar em lares de maior renda, que hoje representam cerca de 70% dos usuários.
A geografia do uso das canetas emagrecedoras no Brasil
A adoção dos medicamentos também apresenta diferenças importantes entre as regiões do país.
Centro-Oeste, Sul e Sudeste concentram as maiores taxas de penetração, enquanto o Nordeste possui participação menor entre os usuários. Além da renda média, fatores como acesso à informação, oferta de serviços médicos e padrões de consumo ajudam a explicar essas diferenças.
Outro ponto relevante é o perfil dos lares que adotam o tratamento. A penetração é maior em famílias com até 50 anos e sem filhos, indicando que a decisão pelo uso está fortemente ligada a objetivos de saúde, estética e qualidade de vida.
Penetração de Usuários Injetáveis GLP-1
Potenciais | Usuários

Um tratamento que impacta o orçamento e o consumo
Além das mudanças relacionadas à saúde, o tratamento também gera impacto direto na dinâmica financeira dos lares.
Entre os usuários, 63% afirmam gastar mais de R$ 800 por mês com o medicamento. Como consequência, o tratamento passa a disputar espaço no orçamento doméstico: 84% relatam impacto moderado ou alto nas finanças, e 62% afirmam reduzir ou priorizar outros gastos para manter o uso da medicação.
Esse movimento cria uma nova dinâmica de consumo: ao mesmo tempo em que alguns gastos são reduzidos, cresce o interesse por categorias associadas ao bem-estar e à manutenção de hábitos saudáveis.
Outro fator que pode ampliar esse fenômeno nos próximos meses é a queda das patentes de alguns desses medicamentos, o que tende a ampliar a concorrência e potencialmente reduzir preços, aumentando o acesso ao tratamento.
Oportunidades para o varejo
Para o varejo, todas essas transformações apontam para um consumidor cada vez mais orientado pela saúde.
A combinação entre novos hábitos alimentares, maior prática de atividades físicas, crescimento de produtos saudáveis e até o avanço de tratamentos médicos voltados ao controle de peso revela uma mudança profunda na forma como os brasileiros se relacionam com o consumo.
Nesse contexto, o desafio e a oportunidade para o varejo será acompanhar essa evolução, oferecendo sortimento adequado, informação clara e experiências de compra alinhadas às novas prioridades dos consumidores.
Mais do que uma tendência passageira, a saudabilidade se consolida como um dos principais motores de transformação do consumo no país.
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*Com informações de Assessoria de Comunicação – NielsenIQ