Imagine voltar no tempo, para a sua primeira experiência com uma máquina de escrever. Agora avance para o presente, onde um simples comando de voz gera um relatório completo com auxílio de inteligência artificial. Essa viagem não é apenas nostálgica — ela revela um padrão essencial: a tecnologia não espera ninguém.
Foi com esse pano de fundo que iniciamos nossa palestra na ExpoSuper 2025, sobre o impacto da Inteligência Artificial no varejo. O objetivo? Trazer luz ao novo papel da ambidestria no varejo — não aquela do mundo acadêmico, mas uma que pulsa no dia a dia das lideranças que precisam conciliar a visão de negócios com a capacidade de adaptação tecnológica. Em um cenário de mudanças exponenciais, essa habilidade deixou de ser diferencial e tornou-se condição de sobrevivência.
Da idade da pedra à era dos prompts
“Quem aqui já fez curso de datilografia?” — a pergunta, feita com bom humor, despertou risos e memórias. Mas o ponto era outro: a tecnologia avança, e o que antes era indispensável vira peça de museu em questão de anos. O rádio, que revolucionou a música ao vivo, foi engolido pelas gravadoras, depois pelo MP3, streaming, IA… A energia, o transporte, os meios de comunicação — todos passaram por rupturas. Por que seria diferente com o varejo?
A IA generativa, por exemplo, não é mais promessa. Ferramentas como o Copilot, que combinam dados públicos com os dados internos das empresas, estão remodelando o modo como interagimos com documentos, e-mails, contratos e pessoas. E tudo isso sem precisar ser um “nerd da tecnologia”.
Tecnologia: ferramenta ou ameaça?
“Tecnologia é o uso prático do conhecimento para criar, resolver e transformar a vida das pessoas.” — essa definição marcou um ponto fundamental da palestra: a tecnologia não substitui o humano; ela amplia seu alcance.
O risco não está na IA. Está em não usá-la.
Líderes que temem a IA muitas vezes estão presos a crenças limitantes — “isso é para os jovens”, “é complicado demais”, “não tenho tempo para aprender”. Mas o novo mercado exige outro perfil: o da liderança ambidestra. Aquela que entende de números, pessoas e códigos. Que é capaz de contratar bem, inspirar melhor e automatizar o que não precisa de toque humano.
Checklist para virar o jogo
Durante a apresentação, compartilhamos um checklist prático, pensado para ajudar qualquer líder — do pequeno varejista ao executivo de grandes redes — a dar os primeiros passos rumo à transformação digital com IA. Eis alguns deles:
- Quebrar barreiras mentais: Pare de repetir “não é pra mim”. Comece dizendo “como posso aprender isso?”
- Exercitar a curiosidade: Use ferramentas novas por 15 minutos ao dia, sem medo de errar.
- Entender os fundamentos: IA, nuvem, automação — são o novo alicerce.
- Implantar agentes de IA: Comece pequeno, automatize uma tarefa por vez.
- Assumir uma liderança ambidestra: Forme um time onde tecnologia e negócio conversem fluentemente.
IA não vai roubar seu lugar — mas alguém que usa IA, vai
A provocação final da palestra foi direta: ou você lidera a transição, ou será atropelado por ela. E não é preciso esperar por um grande projeto para começar. A hora de testar, aprender, ajustar e escalar é agora. A IA não é um futuro distante. É presente. Está nos prompts que agilizam o atendimento ao cliente, nos relatórios gerados em segundos, na personalização de ofertas em tempo real.
Ao final, deixamos claro: a nova ambidestria é saber transitar com naturalidade entre a linguagem dos negócios e a lógica das máquinas. Quem domina essa ponte, lidera a próxima década.
Ricardo Wagner
Especialista em inteligência artificial, acessibilidade e ESG, com destaque para a liderança de projetos globais de alto impacto na Microsoft e na HP
O conteúdo apresentado por Wagner na ExpoSuper 2025 também está reunido no e-book “Desvendando Inteligência Artificial”, produzido pela Business Indicator. Acesse e baixe o livro digital gratuitamente aqui.