O varejo alimentar começou 2026 com sinais de mudança no comportamento de consumo. A edição de fevereiro do Radar Scanntech, divulgada nesta semana, mostra que os supermercados conseguiram manter crescimento em faturamento nas mesmas lojas, mesmo com retração no volume de vendas e redução no fluxo de consumidores.
Na comparação entre fevereiro de 2026 e fevereiro de 2025, o canal supermercadista registrou alta de 1,5% em valor. Ao mesmo tempo, houve queda de 1,6% no número de unidades vendidas. O resultado reflete principalmente a diminuição no fluxo de clientes nas lojas, que recuou 4,6% no período analisado. 
Apesar desse cenário, o preço médio por unidade apresentou crescimento de 3,2%. Esse aumento foi impulsionado pela combinação de elevação do preço por volume, que subiu 2,1%, e de crescimento do tamanho médio das embalagens comercializadas, com alta de 1,1%.
Para o Presidente da Associação Catarinense de Supermercados (Acats), Alexandre Simioni, os números mostram mudanças no comportamento de compra dos consumidores. “Os dados indicam um consumidor mais cauteloso e seletivo. Com menor fluxo nas lojas, as redes vêm ajustando sortimento, formatos de embalagem e estratégias de preço para manter o faturamento”, afirma.
Atacarejo registra desempenho mais desafiador
Enquanto os supermercados conseguiram sustentar crescimento em faturamento, o canal atacarejo apresentou desempenho mais desafiador no período. Em fevereiro, o faturamento registrou queda de 2,3%, acompanhada de retração de 5,7% nas unidades vendidas.
A queda foi influenciada pela redução no número de unidades por ticket, que caiu 2,1%, e pela diminuição do fluxo de consumidores nas lojas, com recuo de 3,8%.
Tendência já observada em 2025
De acordo com a análise do Radar Scanntech, os dados apontam para uma tendência que já vinha sendo observada ao longo de 2025. Considerando a base de mesmas lojas, os supermercados têm apresentado desempenho superior ao atacarejo, com crescimento em faturamento e menor retração no volume de unidades comercializadas.
Em um ambiente de consumo mais cauteloso, fatores como estratégias de preço, mix de produtos e formatos de embalagem ganham ainda mais relevância para sustentar os resultados do varejo alimentar.