Os desafios vividos nos últimos anos foram superados com planejamento e inovação
Em momentos de crise — seja econômica, sanitária ou climática — um setor se mantém indispensável para o funcionamento da sociedade: os supermercados. Mais do que pontos de compra, eles são considerados serviços essenciais, responsáveis por garantir o abastecimento da população.
Alimentos, produtos de higiene e limpeza chegam até as prateleiras mesmo diante de cenários adversos, fruto de um esforço que envolve logística, adaptação e responsabilidade social.
Segundo Paulo Lopes, presidente do Conselho Diretor da Acats, os supermercados podem ser comparados à área da saúde. “Eu vejo que a importância do setor é comparado ao serviço de saúde porque na pandemia, por exemplo, foram os dois setores que trabalharam sem parar, atendendo a sociedade e os mercados disponibilizaram alimentação para que o cidadão pudesse se manter saudável”, afirma.
A atuação vai além da reposição de mercadorias. Em períodos de crise, como a da Covid-19, muitas redes reforçaram horários de atendimento, criaram canais digitais de compra, garantiram protocolos de segurança e investiram em ações para manter a confiança do consumidor.
Segurança do consumidor e do colaborador

durante a pandemia
Nazareno Alves, diretor de operações comerciais de uma rede de supermercados de Criciúma no sul do estado, viveu experiências em tempos de crise. Foram madrugadas planejando ações na época da pandemia para que a loja continuasse funcionando de forma segura.
“Naquele tempo nós tínhamos um calendário de higienização de todas as áreas da loja. Para isso, precisamos contratar uma empresa especializada para fazer isso”, relembra.
O segmento na época deixou a concorrência de lado e compartilhou conhecimento entre as redes para amenizar o efeito da crise. “Nós chegamos a doar equipamentos de segurança para outras redes daqui da cidade e com garra e dedicação conseguimos manter todas as lojas abertas durante a crise de saúde pública”, conta.
Em outro estabelecimento de Criciúma, a estratégia de colocar a segurança em primeiro lugar deu resultado. “Nós tínhamos 650 colaboradores, nenhum deles veio a óbito. Conseguimos manter todos seguros com rodízio de funcionários e outras estratégias”, afirma Rogério Motta, gestor de negócios da rede.
Inovação em tempos de crise

Durante a crise da covid-19 também houve espaço para inovação. Com a população dentro de casa, os supermercados tiveram que se reinventar. Foi daí que surgiram as entregas em casa e a criação de aplicativos que até hoje fazem parte das vendas do setor.
“A gente lançou nosso e-commerce. A gente iniciou em um dia sem ter nada e se tornou um dos meios de maiores vendas da empresa”, conta Motta. Atualmente, a rede em que o gestor trabalha conta com 12 funcionários que gerem essa parte do negócio.
Abastecimento garantido
Além da pandemia, o setor supermercadista passou por duas greves de caminhoneiros nos últimos anos. As paralisações travaram as estradas e muitos alimentos se perderam no meio do caminho. Para manter a loja abastecida as redes tiveram que enfrentar todo tipo de desafio.
“Foram muitas noites mapeando ruas, estradas alternativas para que chegassem as mercadorias nas lojas e a população não ficasse sem comida”, conta Motta.

Situação também foi parecida em uma loja de supermercado em Laguna. A saída para evitar o desabastecimento foi encontrada no improviso. “A gente usou o próprio carro da empresa, enchíamos de produtos e fazíamos várias viagens”, relembra Cristiane Carmelindo, gerente da loja.
Mais do que pontos de venda, os supermercados se consolidam como serviços essenciais, fundamentais para manter a rotina das famílias e a estabilidade da sociedade em qualquer momento — inclusive nos mais desafiadores.