A rentabilidade de um supermercado não depende apenas do volume de vendas. Por trás de cada produto na gôndola, existe um cálculo que precisa equilibrar custo, margem e percepção de valor pelo cliente. E isso só é possível quando precificação e orçamento caminham juntos.
Muitos gestores ainda cometem um erro comum: formar preços com base apenas no custo de compra e aplicar um percentual de margem sobre ele. Essa lógica desconsidera uma série de fatores que impactam diretamente a saúde financeira do negócio, como custos fixos, impostos, giro de estoque e a própria concorrência.
Formar preço exige estratégia, não improviso
Ferramentas como markup e margem de contribuição só funcionam se forem alimentadas com dados corretos e atualizados. A precificação precisa refletir a realidade financeira da empresa e o comportamento de cada produto dentro do mix. Produtos de alto giro, por exemplo, podem aceitar margens menores; já itens com baixo giro precisam compensar com margens maiores para justificar o espaço na gôndola.
Outro ponto essencial é a alocação de custos fixos. Cada produto precisa carregar, proporcionalmente, sua parte desses custos. Quando essa distribuição é sem critério ou inexistente, o resultado é uma visão distorcida da lucratividade.
Saber o ponto de equilíbrio muda tudo
O ponto de equilíbrio mostra quanto o supermercado precisa vender para cobrir seus custos. Essa informação é vital para precificar de forma segura, saber quando é possível baixar ou elevar preços, e projetar metas reais de faturamento. Sem isso, é como vender no escuro.
Orçamento é bússola, não burocracia.
Um bom orçamento não é só planejamento: é direção. Ele define o que a empresa pode investir, gastar e quanto precisa gerar de receita para que tudo isso funcione. Serve como limite para decisões e também como referência para correções ao longo do ano.
É comum que muitos supermercados montem um orçamento no início do ano e o abandonem no dia a dia. Isso compromete a tomada de decisão. O ideal é que o acompanhamento seja mensal, com comparativos, revisões e ajustes sempre que necessário.
Margem não é meta: é rotina de análise
Acompanhar as margens de cada departamento e produto de forma contínua garante que o resultado planejado não se perca no meio do caminho. A gestão financeira precisa estar conectada com os dados do negócio em tempo real para responder rapidamente às mudanças de mercado e custo.
Domine seus números, fortaleça sua tomada de decisão e faça da gestão financeira o seu diferencial competitivo.
Roberto Merlo
Diretor da MERLO Educação Executiva e Instrutor confirmado no curso “Compradores do Varejo: de operacional a estrategista”, promovido pela Acats. Saiba todas as informações do curso clicando aqui.