Quando se pensa em supermercado, a imagem mais comum é a de caixas, repositores e atendentes de balcão. São os rostos visíveis de um setor que opera quase como uma cidade: movimentado, estratégico e com funções que vão muito além do que se vê nas gôndolas. O que poucos consumidores imaginam é que, por trás da operação, há profissões inesperadas que desempenham papéis fundamentais para manter tudo funcionando.
O supermercado deixou de ser apenas um ponto de venda. Hoje, ele é um ecossistema que envolve tecnologia, logística, saúde, nutrição, engenharia e comunicação. Por isso, as redes mais modernas têm investido na diversificação de seus quadros profissionais.
Para quem busca carreira, é um campo fértil — e muitas vezes subestimado. Profissionais de áreas técnicas ou acadêmicas, que antes não consideravam o varejo como uma possibilidade, começam a enxergar as oportunidades que esse universo oferece.
Veterinário no supermercado? Sim.

Pode parecer estranho à primeira vista, mas o papel do médico-veterinário vai além do cuidado com cães e gatos. Em supermercados que comercializam carnes, pescados, embutidos e até alimentos de origem animal como ovos e leite, a presença de um profissional da veterinária é estratégica e exigida por lei.
A médica veterinária, Diana Varela, trabalha em uma grande rede de supermercados de Santa Catarina e coordena uma equipe de 19 profissionais. Ela conta sobre o espanto das pessoas ao saber que trabalha no setor. “99% das pessoas que descobrem que eu trabalho em um supermercado ficam espantadas”.
O veterinário atua na garantia da segurança alimentar. Ele é o responsável técnico que fiscaliza se os produtos de origem animal estão sendo armazenados de forma correta, dentro das temperaturas exigidas e com validade em dia. Também verifica se os fornecedores seguem os padrões sanitários e se o transporte é feito conforme as normas. Em açougues internos, esse profissional ainda acompanha processos de manipulação e cortes, assegurando que tudo esteja de acordo com as regras da Vigilância Sanitária.
“O veterinário está ligado desde o campo até a mesa do consumidor, estamos na produção, no abate, no processo de qualidade de todos os alimentos dentro de um supermercado também. Nós atuamos controlando a qualidade, a higiene e garantindo que esse alimento seja seguro para o consumidor”, destaca Diana.
Além disso, em redes que produzem seus próprios produtos — como linguiças, hambúrgueres, queijos ou pratos prontos — o veterinário pode trabalhar diretamente com o controle de qualidade, atuando lado a lado com nutricionistas e engenheiros de alimentos.
TI: O cérebro digital da operação

Outro profissional que muitos não associam aos supermercados é o de tecnologia da informação. Mas, em tempos de sistemas de gestão, e-commerce, aplicativos de delivery e programas de fidelidade digital, o TI virou peça-chave.
O setor é responsável por manter todos os sistemas funcionando: do caixa que precisa emitir nota fiscal com rapidez, aos estoques que devem estar integrados com as vendas. Um erro no sistema pode parar a operação inteira — e isso custa caro.
Além da parte técnica, os profissionais de TI também atuam em análises de dados. Eles monitoram os hábitos de consumo dos clientes para criar campanhas personalizadas, ajudam a identificar rupturas de estoque antes que faltem produtos nas prateleiras e desenvolvem soluções internas para agilizar a logística.
“Quando eu comecei como empacotador, não tinha ideia que estaria hoje na área de tecnologia. Hoje a minha profissão é analista DBA e sênior”, conta o analista de dados Célio Júnior
Com o avanço da digitalização, muitas redes estão investindo em profissionais de TI para desenvolver e manter seus próprios aplicativos de compra, onde clientes podem fazer listas, receber promoções personalizadas ou agendar retirada na loja. Tudo isso demanda programadores, analistas de dados, desenvolvedores e técnicos.
O supermercado como ecossistema
O supermercado deixou de ser apenas um ponto de venda. Hoje, ele é um ecossistema que envolve tecnologia, logística, saúde, nutrição, engenharia e comunicação. Por isso, as redes mais modernas têm investido na diversificação de seus quadros profissionais.
Para quem busca carreira, é um campo fértil — e muitas vezes subestimado. Profissionais de áreas técnicas ou acadêmicas, que antes não consideravam o varejo como uma possibilidade, começam a enxergar as oportunidades que esse universo oferece.